As vitaminas são encontradas nas frutas, verduras e legumes. Certo? Errado! Pelo  menos para a vitamina B12. Nenhum alimento de origem vegetal contém quantidades minimamente significativas de vitamina B12.  Ela pode ser encontrada apenas nas proteínas de origem animal, principalmente nas vísceras como o fígado, mas também nas carnes, leite e ovos.

A Cianobobalamina ou  vitamina B12 é  lindamente versátil e sua ação se faz notar em vários aspectos do metabolismo dos carboidratos, lipídios e proteínas do nosso corpo. Sua ação é fundamental para a saúde do trato gastrintestinal, do sistema nervoso central e dos nervos periféricos, atua na maturação das hemácias, os globos vermelhos do sangue e finalmente, atua como cofator na síntese dos ácidos nucléicos, o material no qual nosso código genético é impresso. Quer mais? Não é fonte de calorias e não aumenta o peso corporal.

Infelizmente, podemos ter deficiência de vitamina B12, com todos os seus riscos, sem nenhum sintoma, principalmente nas fases iniciais e nas deficiências leves a moderadas. Por outro lado, podemos ter sintomas vagos e inespecíficos, que podem passar despercebidos ou até serem relacionados com cansaço físico ou mental, relacionados à correria e ao stress da vida diária. Nos casos sintomáticos, podem ocorrer  formigamentos, queimação e alterações na sensibilidade dos pés e pernas. Alterações chamadas cognitivas relacionadas à dificuldade de memória e de concentração, confusão mental com dificuldade na realização de tarefas relativamente simples e até sintomas psiquiátricos como alterações no humor. A anemia por deficiência de vitamina B12 é também uma complicação bem conhecida dos estados carenciais que envolvem esse micronutriente.

Além de ser de difícil diagnóstico clínico, os resultados laboratoriais definem como normais uma faixa muito ampla da concentração da vitamina B12 (200 a 900pg/mL). Isso significa que alguns casos de deficiência vão gerar resultados laboratoriais aparentemente normais e, por outro lado, casos com vitaminas normais vão se nos apresentar como deficientes. Isso não significa que as dosagens não são confiáveis. Elas apenas requerem uma avaliação crítica do médico, associada ao quadro clínico dos pacientes, bem como aos fatores de risco sabidamente associados à deficiência da vitamina B12. Somente assim estaremos aptos a diagnosticar a deficiência de vitamina B12 nos casos limítrofes.

Uma característica das vitaminas hidrossolúveis como a vitamina B12 é que têm pouca capacidade de armazenamento e devem ser ingeridas diariamente, em pequenas quantidades. Mas a vitamina B12 novamente nos surpreende e foge à regra. Nossa reserva de B12 garante períodos relativamente grandes e variáveis sem a ingestão da vitamina. Não há um período definido para todas as pessoas, mas pelo menos um ano nós conseguimos viver com nossas reservas, quando elas resultam de uma ingesta normal por tempo prolongado. Alguns mais, outros menos. Nosso armazenamento de vitamina B12  é mantido pelo chamado ciclo êntero-hepático. Através dele, a vitamina excretada no intestino pela bile pode ser reabsorvida em quantidades variáveis e volta a integrar o estoque. Além disso, a microflora intestinal contém microrganismos capazes de sintetizar pequenas quantidades da vitamina B12, embora não se sabe de maneira exata o papel dessa produção para o estado nutricional.

Os riscos nutricionais da carência de B12 são bem conhecidos nas dietas vegetarianas sem suplementação, principalmente nos veganos. Mas além deles, é muito importante entendermos o risco nutricional dos idosos, das pessoas que abusam do álcool e daquelas com gastrites crônicas em uso de medicamentos antiácidos de maneira contínua. Vale à pena destacarmos um grupo de alto risco que são as pessoas submetidas à cirurgia de redução do estômago e aquelas em uso de metformina. São situações de risco que exigem um rastreamento com a dosagem da vitamina B12 pelo menos anualmente. Nos idosos, todo paciente com alterações cognitivas e suspeita de demência deve ter sua dosagem de vitamina B12 realizada antes do diagnóstico definitivo.

A reposição de vitamina B12 deve ser realizada por todas as pessoas deficientes, sejam aquelas que não ingerem a vitamina adequadamente ou aquelas que apesar da ingestão adequada, não têm capacidade absortiva. Para mantermos níveis adequados da vitamina no sangue, nós precisamos absorver no mínimo 1,0mcg/dia da vitamina. A recomendação de ingestão diária, para alcançar essa absorção é de 2,4mcg/dia para um adulto com plena capacidade absortiva. Isso varia e é muito maior nos casos da anemia perniciosa, uma doença onde a pessoa perde a capacidade de absorver especificamente a vitamina B12 ou nos casos de cirurgia bariátrica, onde a retirada de parte do estômago inviabiliza a absorção. Assim, as doses de manutenção não podem ser padronizadas e algumas pessoas se mantém normais com menos de 10mcg/dia e outras  com mais de 2000mcg. Alternativamente, além da via oral,  podemos usar sublingual ou intramuscular e os intervalos também podem ser variáveis, na dependência das nuances de cada caso.

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