Alimentos ultraprocessados. Parecem práticos, parecem baratos, parecem saudáveis e até parecem alimentos de verdade, mas após uma avaliação criteriosa podemos entender que são um arremedo de alimento.

Chamamos alimentos ultraprocessados, aqueles com alto grau de processamento industrial, com pouco ou nenhum alimento verdadeiro. Por exemplo, o milho. Temos o milho que compramos na feira que é o alimento natural. Temos o milho em conserva que é um alimento processado e temos o salgadinho sabor milho que é um produto ultraprocessado, onde não há milho nenhum, apenas aditivos para que ele se pareça com milho.

São alimentos ultraprocessados os salgadinhos em pacote, macarrão e sopas instantâneos, biscoitos e bolachas, refrigerantes, sucos em pós e carnes processadas como nugets, hamburgeres e  salsichas. Até o nosso tradicional pão de queijo já está sendo vendido congelado e ultraprocessado, preparado com uma goma que não tem praticamente nada de queijo.

Esses produtos ultraprocessados têm muito mais açúcar, sal e gordura. Tem menos ou nenhuma fibra. São vazios dos nutrientes do alimento natural e as novas pesquisas nos alertam para o potencial danoso de seus “aditivos”, aqueles vários ingredientes de nome difícil, muitas vezes desconhecidos até para alguns profissionais de saúde, usados para dar aparência, textura, gosto e cheiro de alimento, além de prolongarem a validade desses produtos nas prateleiras.

Esses aditivos são ainda potencialmente capazes de atacar os trilhões de bactérias que vivem em nosso intestino, nossa microbiota. O pior é que atacam seletivamente as boas bactérias e poupam as más, podendo inclusive transformar bactérias boas em más, além de estimularem o desenvolvimento de novas cepas potencialmente agressivas e de difícil controle. Essa nova microbiota, advinda da seleção natural causada pelos aditivos dos alimentos processados parece influenciar a ocorrência de obesidade, diabetes e doenças inflamatórias intestinais através de mudanças na capacidade absortiva da parede intestinal,  com maior extração de calorias dos alimentos.

No intestinal normal, as bactérias são mantidas separadas da parece intestinal por uma fina lâmina de muco. A dieta ocidental, rica em alimentos ultraprocessados leva a uma erosão dessa camada protetora, deixando as bactérias muito próximas à mucosa intestinal com potencial agressivo a ela. Por outro lado, a dieta rica em fibras solúveis dos alimentos naturais protegem a mucosa intestinal  através de proteção à barreira mucosa.

Precisamos entender que nossa flora intestinal é o resultado de nossa genética, estilo de vida e medicamentos que tomamos. Tudo muito difícil de controlar. Por outro lado, podemos escolher melhor quais alimentos daremos às nossas bactérias intestinais.  Faríamos bem em lhes dar o máximo de fibras solúveis, de alimentos de verdade, como legumes, verduras, cereais e grãos. Faríamos bem em nos preocupar  com os tais aditivos como espessantes, aromatizantes, adoçantes, emulsificantes e lembrar sempre deles antes de comprarmos um pacote de salgadinho ou de bolacha.

CITEN

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