Diferente da mulher que tem na menopausa uma queda hormonal bem definida,  clínica e laboratorialmente;  no homem esse fenômeno nem sempre pode ser documentado. Neles, os estudos revelam uma queda lenta e progressiva na produção de testosterona, de 1 a 2% ao ano, começando a partir dos 40 anos de idade.

Apesar de aparentemente vantajosa a posição masculina, eles podem apresentar o equivalente feminino da menopausa. Seria a  andropausa,  o resultado desse processo, culminando com redução absoluta e importante do hormônio masculino  após os 60 anos de idade.

Os sintomas da deficiência de testosterona, o chamado hipogonadismo masculino,  não são específicos e a maioria dos pacientes com redução na libido e disfunção erétil não têm redução do hormônio. Na prática, apenas 23 a 36% dos homens com essas queixas demonstram níveis baixos do hormônio masculino.  Isso ocorre porque essas alterações sofrem interferências de muitos fatores psicológicos, financeiros, sociais, medicamentosos, doenças crônicas, obesidade e abuso do álcool. Mesmo assim, todos os homens com queixas sugestivas, devem ter seus níveis hormonais checados pelo laboratório.

Dosar testosterona de maneira exata não é fácil. A maior parte da tecnologia disponível em muitos laboratórios não resulta em dosagens corretas e muitas vezes, induz a erros de diagnóstico e  tratamento. Assim, a testosterona deve ser dosada através de métodos sofisticados, em dois dias diferentes  pela manhã, em jejum,  para que possamos ter segurança no diagnóstico do hipogonadismo masculino.

Por outro lado, as campanhas publicitárias para a dosagem e prescrição do hormônio masculino utilizam sintomas vagos e inespecíficos de redução da testosterona como alterações de humor e de memória, cansaço físico, ganho de peso e adinamia. São queixas frequentes na população masculina  e na quase totalidade dos casos, não têm nada a ver com deficiência de hormônio masculino. Daí o fenômeno preocupante que estamos observando nos últimos anos que é o aumento nas prescrições e vendas de hormônio masculino em todo o mundo. Nos EUA, a venda de testosterona simplesmente quadruplicou de 2000 a 2011. Com certeza, isso revela abuso e não o tratamento de deficiência real do hormônio masculino.

A preocupação com os abusos de prescrição e consumo de testosterona se deve aos riscos do uso indiscriminado do hormônio. Esses riscos vão desde alterações no volume da próstata, que pode aumentar de tamanho, como o estímulo de células tumorais;  complicações hematológicas que elevam o risco de tromboses e finalmente o comprometimento da fertilidade masculina. A prescrição deve sempre ser acompanhada por exames urológicos regulares.

Além da queda dita fisiológica da testosterona após os 40 anos, há várias doenças que comprometem verdadeiramente a produção do hormônio masculino e podem ocorrer desde a infância até a vida adulta. São doenças que precisam ser corretamente diagnosticadas e receberem tratamento específico para cada uma delas, incluindo a reposição hormonal.

Para concluir, o uso de testosterona deve ter prescrição e acompanhamento médico, pois tem várias contra indicações. Seu uso deve ser restrito aos pacientes sintomáticos com confirmação laboratorial de baixa testosterona. O resultado dessa intervenção é tanto melhor quanto menores forem os níveis de testosterona no sangue e não traz nenhuma vantagem para homens sem hipogonadismo verdadeiro.

CITEN

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