Tipo 1 e Tipo 2. É assim a classificação do Diabetes até agora. Muito fácil de entender, pois no Tipo 1 estão os pacientes dependentes de insulina e no Tipo 2 aqueles que podem ser tratados com medicamentos por via oral. Fácil, mas longe da realidade das centenas de pacientes diabéticos que procuram tratamento e entendimento da doença.

O diabetes na verdade são várias doenças que têm em comum a elevação da glicose no sangue. Apenas isso. No restante, tudo é diferente. Alguns têm sobrepeso como característica importante, outros são magros. Alguns têm vários casos na família, outros não. Alguns têm complicações graves como a perda da visão, falência dos rins e infarto, outros têm uma evolução sem complicações. Alguns adquirem a doença na infância, outros na terceira idade.

Por isso, o estudo científico que resultou na proposta da nova classificação veio preencher uma necessidade há muito tempo sentida por todos nós profissionais de saúde que nos dedicamos ao tratamento do diabetes. Esse estudo foi realizado por um grupo escandinavo de pesquisadores e publicado no início de março de 2018. Nada do que não sabíamos. Aprendemos a conviver com a heterogeneidade do diabetes e suas inúmeras faces, mas com a nova classificação conseguimos facilitar a escolha do tratamento mais adequado a cada tipo de diabetes e orientar o paciente quanto ao seu prognóstico.

Dos dois grupos conhecidos, hoje passamos a 5 grupos de acordo com esse novo estudo. Esses grupos definem a capacidade de produzir insulina e a eventual necessidade de uso do hormônio. Define também os grupos de maior gravidade baseada na dificuldade do controle da glicose dos pacientes e os grupos com maior risco das complicações diabéticas como a falência renal e os problemas oftalmológicos e cardiovasculares.

A nova classificação permite inclusive aos pacientes uma ideia de onde se encontram e como devem ser tratados.

Grupo 1 e 2 compreendem 24% dos diabéticos e são aqueles pacientes que param de produzir insulina, alguns de imediato ao diagnósticos e outros na evolução. São crianças, adolescentes e adultos jovens, geralmente com peso normal ou até magros e tem uma doença de difícil controle. Necessitam de insulina em seu tratamento, quando não de imediato ao diagnóstico, certamente na evolução. Esses pacientes são os de maior risco para as complicações oculares.

Grupo 3 compreendem 15% dos diabéticos, são geralmente obesos e não têm deficiência de insulina, pelo contrário, têm muita insulina no sangue. Seu diabetes se deve à chamada Resistência Insulínica, uma alteração que impede à ação normal da insulina circulante. Esses pacientes têm mais risco de complicações no fígado (fígado gorduroso) e nos rins (falência renal) e representam um grupo da doença que se agrava com as múltiplas complicações da obesidade associada à Resistência Insulínica

Grupo 4  compreendem 21% dos diabéticos, são obesos como aqueles do Grupo 4, mas não têm Resistência Insulínica. Neles, o diabetes aparentemente se deve à própria obesidade e têm um curso melhor e com menos complicações que o grupo anterior.

Grupo 5 compreendem 39% dos diabéticos e são aqueles pacientes em que a doença ocorre na terceira idade, São os pacientes mais velhos e têm poucas alterações metabólicas.

 

CITEN

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