Em outubro de 2016 o biólogo japonês Yoshinori Ohsumi ganhou o pêmio Nobel de medicina desse ano com um tema palpitante para a humanidade. O pesquisador demonstrou como as células reciclam seu conteúdo e através dele, usam sua própria estrutura para gerar energia e se renovar.  Isso é chamado de autofagia.   A relação com longevidade pode ser explicada pelo fato desse processo auxiliar a sobrevivência da célula, reciclando componentes desgastados e envelhecidos.

Parece que processos que aumentam o metabolismo e geram resíduos antecipam a morte celular, pois superam a capacidade da autofagia. Por outro lado, processos que estimulam a autofagia são capazes de acelerar a renovação de produtos tóxicos e prolongar a vida das células. Um exemplo disso é a restrição calórica. Comer menos poderia, dessa maneira, prolongar a vida. Se as células recebem menos nutrientes, elas são obrigadas a  se utilizar mais da autofagia para sobreviver.

Em 2006, foi realizado o primeiro estudo em humanos submetidos à restrição calórica no estado americano de Louisiana pelo Dr. Eric Ravussin e sua equipe. Eles encontraram dois marcadores de longevidade relacionados à dietas de baixas calorias. Os pacientes foram submetidos à redução calórica de até 25% da deita durante 6 meses. Nesse estudo, houve redução da temperatura basal e da insulina em jejum dos pacientes, revelando que comer menos pode atuar favoravelmente em prolongar a vida.

Vamos conhecer dois personagens que nos deixaram perplexos há alguns anos. Trata-se de Canto e Owen, dois macacos rhesus de 25 anos de idade e que mais parecem pai e filho. Canto, à esquerda, magro e com aparência saudável, foi submetido a uma restrição calórica conduzida pelo gerontólogo Richard Weindruch. Owen, à direita, gordo e envelhecido, sempre recebeu ração farta. Essa imagem pode revelar a expectativa dos cientistas frente às possibilidades e benefícios de se comer pouco.

Esta teoria não preconiza atitudes extremas, não ensina fazer jejum ou reduzir drasticamente calorias e nutrientes. É bom lembrar que os extremos de magreza também estão relacionados à maior incidência de doenças crônicas, ao câncer e ao aumento da mortalidade por essas causas. A teoria da menor ingestão de calorias tenta elucidar e explicar o porquê do envelhecimento. É um ponto de partida para começar a entender a vida e as possibilidades de preservá-la.

Comer pouco parece benéfico, enquanto comer muito, já não temos dúvida, é maléfico. As evidências de que a obesidade está relacionada com a aceleração do envelhecimento e a redução da expectativa de vida das pessoas já são certezas científicas.

CITEN

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